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Por ordem do itamaraPTy, embaixador não acompanhou os senadores em Caracas



Embaixador do Brasil em Caracas, Ruy Pereira se absteve de acompanhar a comitiva de oito senadores que foi hostilizada na Venezuela nesta quinta-feira (18). Após recepcionar os visitantes no aeroporto, o diplomata se despediu. Alegou que tinha outros compromissos. Agiu assim por ordem do Itamaraty.

O governo brasileiro avaliou que a participação direta do embaixador numa comitiva cujo principal objetivo era visitar na prisão o líder oposicionista venezuelano Leopoldo Lópes causaria problemas diplomáticos com o governo pós-chavista de Nicolás Maduro. Algo que Dilma Rousseff não quer que ocorra.

“O embaixador nos virou as costas”, disse ao blog o líder do PSDB no Senado, Cássio Cunha Lima (PB), após desembarcar na Base Aérea de Brasília na madrugada desta sexta-feira (19). Vinha de uma missão paradoxal, que teve sucesso porque fracassou.

Destratados por manifestantes leais a Maduro e retidos nos arredores do aeroporto por um bloqueio das vias públicas, os senadores retornaram a Brasília sem cumprir a agenda que haviam programado. A frustração virou êxito porque o governo de Caracas revelou-se capaz de tudo, menos de exibir seus pendores democráticos. 

“Entre a cumplicidade com o regime ditatorial de Maduro e a assistência a cidadãos brasileiros em apuros, a nossa diplomacia preferiu o papel de cúmplice”, queixou-se o tucano Cunha Lima. “O que aconteceu ficou acima das piores expectativas”, ecoou o também tucano Aécio Neves (MG). “Uma missão oficial do Senado foi duramente agredida e o governo brasileiro nada fez para nos defender.” 

Horas antes do desembarque dos senadores na Base Aérea de Brasília, ainda na noite de quinta-feira (18), um grupo de deputados estivera no Itamaraty para conversar com o ministro Mauro Vieira (Relações Exteriores). Enquanto aguardavam pelo início da audiência, o deputado Raul Jungmann (PPS-PE) acionou o viva-voz do celular para que os colegas ouvissem um relato direto de Caracas. 

Do outro lado da linha, o senador Ricardo Ferraço contou o que sucedera. E realçou a ausência de Ruy Pereira, o embaixador brasileiro em Caracas. Assim, armados de informações recebidas do front, os deputados entraram no gabinete do chanceler Mauro Vieira dispostos a crivá-lo de perguntas incômodas. 

O deputado Antonio Imbassahy (PSDB-BA) indagou: por que o embaixador recebeu a comitiva de senadores no aeroporto e foi embora? O ministro alegou que o diplomata não poderia acompanhar os visitantes numa incursão ao presídio onde se encontra o oposicionista Leopoldo Lópes. Sob pena de provocar um incidente diplomático.


Charge: Roque Sponholz

Raul Jungmann foi ao ponto: de quem partiu a ordem? O chanceler informou que o embaixador seguiu orientação do Itamaraty. Jungmann insistiu: então, ministro, o senhor está declarando que o governo brasileiro deu a ordem para que o embaixador se ausentasse? O ministro respondeu afirmativamente.

Pouco depois desse encontro, o Itamaraty soltaria uma nota oficial sobre o fuzuê de Caracas. Em telefonema para Dilma, o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), cobrara uma manifestação formal de repúdio do Executivo. O texto anota que “o governo brasileiro lamenta os incidentes que afetaram a visita à Venezuela da Comissão Externa do Senado e prejudicaram o cumprimento da programação prevista naquele país.”

Não há na nota nada que se pareça com uma crítica ao governo de Nicolás Maduro. “São inaceitáveis atos hostis de manifestantes contra parlamentares brasileiros'', escreveu o Itamaraty, como se desse crédito à versão segundo a qual os militantes que cercaram a van que transportava os senadores brasileiros brotaram na hora e no local exatos sem nenhuma interferência do governo venezuelano.

Como que farejando a repercussão negativa da ausência do embaixador na hora da encrenca, o Itamaraty enumerou os serviços prestados pela embaixada brasileira em Caracas. “Solicitou e recebeu do governo venezuelano a garantia de custódia policial para a delegação durante sua estada no país, o que foi feito'', diz a nota. “Os policiais, embora armados, assemelhavam-se a agentes de trânsito do Brasil”, comparou o tucano Cunha Lima. “Nada fizeram para conter as hostilidades. Se a coisa descambasse, não creio que impediriam o pior.”

“O embaixador do Brasil na Venezuela recebeu a comissão na sua chegada ao aeroporto”, acrescentou o Itamaraty em sua nota. E Cunha Lima: “Sim, recebeu, mas virou as costas e foi embora”.

 

“Os senadores e demais integrantes da delegação embarcaram em veículo proporcionado pela Embaixada, enquanto o embaixador seguiu em seu próprio automóvel de retorno à embaixada. Ambos os veículos ficaram retidos no caminho devido a um grande congestionamento”. Se o embaixador ficou retido, ninguém soube. Impedidos de prosseguir, os senadores viram-se compelidos a retornar para o aeroporto. O diplomata Ruy Pereira não deu as caras.

O texto do Itamaraty compra como verdadeira uma informação contestada pela venezuelana María Corina Machado, deputada cassada por divergir de Maduro. O bloqueio foi “ocasionado pela transferência a Caracas, no mesmo momento, de cidadão venezuelano extraditado pelo governo colombiano”, sustentou o documento da chancelaria brasileira.

E María Corina, no Twitter: “Está totalmente trancada a autopista porque ‘estão limpando os túneis’ e por ‘protestos’. Se o regime acreditava que trancando as vias impediria que os senadores constatassem a situação de direitos humanos na Venezuela, conseguiu o contrário. Em menos de três horas, os senadores brasileiros descobriram o que é viver na ditadura hoje na Venezuela.''

“O incidente foi seguido pelo Itamaraty por intermédio do embaixador do Brasil, que todo o tempo se manteve em contato telefônico com os senadores”, acrescentou a nota oficial. “O embaixador ficou nos tapeando pelo telefone”, contestou Cunha Lima. Recebeu orientação do Itamaraty para fazer isso.”

Ainda de acordo com a nota do Itamaraty, o embaixador Ruy Pereira “retornou ao aeroporto e os despediu [sic] na partida de Caracas.'' Na versão de Cunha Lima, o retorno do diplomata serviu apenas para reforçar a pantomima. “Ele dizia que estava muito distante. Quando decidimos partir, apareceu em menos de cinco minutos. Eu me recusei a cumprimentá-lo. O senador Ricardo Ferraço também não o cumprimentou.

“À luz das tradicionais relações de amizade entre os dois países, o governo brasileiro solicitará ao governo venezuelano, pelos canais diplomáticos, os devidos esclarecimentos sobre o ocorrido”, encerrou a nota do Itamaraty. Para os congressistas, quem deve explicações no momento é o governo brasileiro.

O deputado Raul Jungmann formalizará na Câmara pedido de convocação do chanceler Mauro Vieira e do embaixador Ruy Pereira para prestar esclarecimentos no plenário da Câmara. Cunha Lima requisitará a presença da dupla na Comissão de Relações Exteriores do Senado. De resto, os parlamentares se reunirão nesta sexta-feria, na liderança do PSDB no Senado, para decidir as providências que serão adotadas em reação aos episódios de Caracas. Uma delas é cobrar do governo Dilma que coloque em prática a cláusula democrática prevista no tratado do Mercosul. 

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Fonte: Blog do Josias

itamaraPTy: os documentos da Odebrecht que o Itamaraty quis esconder. São cerca de duas mil páginas de telegramas que citam a Odebrecht, produzidos durante o governo Lula



Por cinco anos, Itamaraty manteve sob sigilo um conjunto de documentos com cerca de duas mil páginas que citam a Odebrecht, em telegramas produzidos durante o governo Lula.

Na semana passada, O Globo revelou que uma manobra do Itamaraty para colocar sob segredo por até 10 anos essa documentação, solicitada por ÉPOCA. Esses telegramas foram classificados inicialmente como reservados (sigilo decinco anos) e, em razão do prazo, já deveriam ser públicos. Mas o diplomata João Pedro Costa, Diretor do Departamento de Comunicações e Documentação, sugeriu então colocar o arquivo como secreto (sigilo de 15 anos), em razão de ÉPOCA já ter feito reportagem sobre as ligações de Lula com a empreiteira. O Itamaraty decidiu então liberar os documentos após a revelação da manobra.

ÉPOCA agora divulga os documentos, que têm cerca de duas mil páginas. O Itamaraty possui toda essa documentação de forma organizada e digitalizada, com fácil acesso, mas optou por imprimir as folhas na semana passada, oferecendo à reportagem que manualmente fotografasse os telegramas, um a um. Por isso, alguns documentos podem ter imperfeições ou estar fora da ordem cronológica.

ATUALIZAÇÃO: Após fornecer a ÉPOCA toda a documentação em papel, para fotografar, o Itamaraty atendeu aos sucessivos pedidos de veículos de imprensa e disponibilizou os arquivos digitalizados, de maneira organizada. São três arquivos em PDF. O primeiro (parte 1 abaixo) é formado por documentos que foram "escaneados" e não é possível fazer buscas por palavras. No segundo e no terceiro (parte 2 e parte 3 abaixo), o texto pode ser selecionado e podem ser feitas buscas no conteúdo.

Confira a documentação:




Para ver os arquivos inicialmente fotografados, um a um pela reportagem de ÉPOCA, clique nestes dois links: parte 1 e parte 2 (por conta do tamanho dos arquivos, as páginas podem demorar um pouco para carregar).


Ajude a equipe de ÉPOCA a analisar os documentos. Se encontrar, nos telegramas, algo que mereça a nossa atenção para uma reportagem, envie um e-mail ao repórter Filipe Coutinho:ffurtado@edglobo.com.br

Governo Maduro apodrece e Dilma tapa o nariz


O governo da Venezuela se recusa a autorizar a aterrissagem de um avião da FAB que levaria uma comitiva de senadores brasileiros a Caracas na quinta-feira. Pense nisso sem pensar no resto. Esqueça a precariedade da situação política venezuelana. Pense só nisso. O apoio incondicional do Brasil a um regime que silencia seus opositores encarcerando-os já era esquisito. Agora, visto assim, isoladamente, sem explicações, o veto à viagem dos parlamentares torna esse apoio um escárnio.

Dilma Rousseff pegou em lanças pelo colega venezuelano Nicolás Maduro na visita que fez a Bruxelas na semana passada. Discursando para seis dezenas de chefes de Estado na cúpula de países da Europa e da América Latina, a presidente do Brasil, língua em riste, sapecou: “Rechaçamos a adoção de quaisquer tipos de sanções contra a Venezuela.”

Decorridos seis dias, o petista Jaques Wagner, ministro da Defesa de Dilma, repassou ao presidente do Senado, Renan Calheiros, a constrangedora informação de que o governo companheiro da Venezuela não quer deixar pousar o avião da FAB que levaria a Caracas, na quinta-feira, uma comitiva de senadores brasileiros. Procede assim porque sabe que os passageiros da aeronave vão falar de democracia e pedir a libertação dos opositores que Maduro mandou encarcerar.

No discurso de Bruxelas, Dilma não se manifestou apenas em nome dos brasileiros. Soou como se tivesse procuração de um pedaço do globo: “Nós, países latino-americanos e caribenhos, não admitimos medidas unilaterais, golpistas e políticas de isolamento”, disse ela. Suprema ironia: mantido o veto à visita dos senadores, ficará entendido que a Venezuela não precisa de ajuda externa para se isolar.

Auto-proclamada líder regional, Dilma afirmou que a Unasul “trabalha arduamente” para restabelecer o diálogo político na Venezuela. Diálogo? Ora, para um governo que mantém atrás das grades seus antagonistas o melhor diálogo é aquele em que o outro é obrigado a calar a boca. Ex-presa política, a presidente brasileira sabe como essa engrenagem roda.

Dilma referiu-se à América Latina como uma “zona de paz”, na qual “estão consolidados a democracia e o Estado de Direito”. Preso por agentes da “Inteligência” venezuelana sem um mandado judicial, o prefeito da área metropolitana de Caracas, Antonio Ledezma, decerto enxerga em seu país outro tipo de Estado —um Estado de exceção. Em greve de fome há 22 dias, Leopoldo Lópes, outro oposicionista enjaulado por Maduro, não precisaria torturar as próprias tripas se os venezuelanos respirassem ares democráticos.

Quando o Paraguai acionou sua Constituição contra o presidente Fernando Lugo, impedindo-o por 39 votos a 4, num ato soberano do Senado, o governo brasileiro surtou. Não havia tropas nas ruas de Assunção, a imprensa paraguaia trabalhava normalmente, o destituído aceitou a destituição… Tanta normalidade levou o Brasil a comandar a articulação que enxotou o Paraguai do Mercosul a pontapés. Na mesma época, a Venezuela foi admitida no grupo. Desde então, o Paraguai teve de ser adulado para retornar ao clube, e o odor que vem da Venezuela tornou-se lancinante.

Já estava claro que Dilma não tem a intenção de respeitar as cláusulas democráticas do tratado que rege o funcionamento do Mercosul. Mas a presidente brasileira poderia ter um pouco mais de apreço por sua própria biografia. Maduro apodrece aceleradamente. Tapar o nariz já não resolve. A deterioração exige de Dilma algo mais. Nem que seja uma cara de nojo.

Itamaraty propõe burlar lei para proteger Lula. Diplomata pede sigilo de papéis sobre ex-presidente e Odebrecht, que, pela lei, são públicos.


BRASÍLIA - O Ministério das Relações Exteriores deflagrou ação para evitar que documentos que envolvam o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva com a Odebrecht, empreiteira investigada na Operação Lava-Jato, venham a público. A ordem interna partiu do diretor do Departamento de Comunicações e Documentação (DCD) do Itamaraty, ministro João Pedro Corrêa Costa, depois que o órgão que ele dirige recebeu um pedido de informações de um jornalista baseado na Lei de Acesso à Informação. O GLOBO obteve um memorando que ele disparou, na última terça-feira, sugerindo a colegas do Itamaraty que tornassem sigilosos documentos “reservados” do ministério que citam a Odebrecht entre 2003 e 2010, que, pela lei, já deveriam estar disponíveis para consulta pública.

Pela lei, papéis “reservados” perdem o sigilo em cinco anos. No ofício interno do Itamaraty, o diplomata cogita a reclassificação dos documentos como “secretos”, o que aumentaria para 15 anos o prazo para divulgação. Dessa forma, as informações continuariam sigilosas por até dez anos.


O memorando de Costa enviado à Subsecretaria-Geral da América do Sul, Central e do Caribe (Sgas) foi motivado por um pedido feito pela Lei de Acesso à Informação pelo jornalista Filipe Coutinho, da revista “Época”. Ele solicitou todos os telegramas e despachos reservados do ministério que citam a Odebrecht e que, por conta do prazo, já deveriam ser públicos. No pedido, não há referência a Lula. A citação ao ex-presidente aparece apenas na justificativa dada pelo chefe do DCD para pedir a reanálise dos documentos antes de decidir o que pode ou não ser entregue ao jornalista. O texto admite que os papéis já deveriam ser públicos:

“Nos termos da Lei de Acesso, estes documentos já seriam de livre acesso público. Não obstante, dado ao fato de o referido jornalista já ter produzido matérias sobre a empresa Odebrecht e um suposto envolvimento do ex-presidente Lula em seus negócios internacionais, muito agradeceria a Vossa Excelência reavaliar a anexa coleção de documentos e determinar se há, ou não, necessidade de sua reclassificação para o grau de secreto”.

Em 30 de abril deste ano, a revista “Época” publicou reportagem sobre abertura de investigação do Ministério Público Federal (MPF) relativa à suspeita de tráfico de influência praticada por Lula para beneficiar negócios da Odebrecht no exterior. A investigação do MPF foi aberta a partir de reportagem do jornal O GLOBO, que revelou, no dia 12 de abril, viagens de Lula pagas pela empreiteira.

Segundo a Lei de Acesso, sancionada pela presidente Dilma Rousseff em maio de 2012, documentos com grau de “reservado” são protegidos por apenas cinco anos a partir da data em que foram originados. Já os “secretos” são protegidos por 15 anos. Isso significa que todos os documentos reservados durante o governo Lula já poderiam ser de conhecimento público. Se a reclassificação cogitada pelo DCD for feita, os documentos requeridos pelo jornalista passarão a ter o sigilo estendido em até dez anos. Os mais antigos, de 2003, só poderão ser liberados em 2018. Já os mais recentes do pedido, de 2010, só seriam conhecidos em 2025.

INFORMAÇÕES JÁ TINHAM SIDO REUNIDAS

O departamento responsável pela busca de material requisitado via Lei de Acesso já tinha compilado e imprimido o material para entregar ao repórter, mas recebeu o pedido para reavaliar tudo. Os arquivos foram distribuídos para cada setor do Itamaraty responsável pelos temas abordados para que eles analisassem o que era considerado comprometedor e, portanto, poderia ganhar o status de “secreto”.

Além do memorando, os funcionários que deveriam executar essa tarefa receberam um e-mail explicando como deveriam agir. A mensagem faz referência a procedimento similar realizado pelo Itamaraty no mês passado: separar em duas pastas o material autorizado para divulgação e o material que deveria ser reclassificado.

O memorando foi enviado no dia 9 de junho, e o prazo dado por Costa para que os diplomatas fizessem a análise vencia hoje, a tempo de decidir pela reclassificação antes de vencer o prazo que o Itamaraty tem para responder ao pedido de informação feito pelo jornalista, que é de 20 dias. A lei diz que órgãos públicos podem prorrogar o prazo por mais dez dias. O memorando obtido pelo GLOBO não aponta a data em que o pedido foi feito.

Segundo a Lei de Acesso, o governo pode, antes de liberar um documento desclassificado, analisar o conteúdo para saber se ainda há algum trecho que precisa ser protegido por motivo legal ou que possa violar a intimidade de uma pessoa. Nesses casos, o documento pode ser liberado com tarjas nos trechos ainda sensíveis, ou o órgão pode reclassificar o texto para que o sigilo permaneça por mais tempo. Entretanto, tudo tem que ser feito com base no disposto na lei, onde não há previsão de proteção da imagem de ex-presidente por conta de possíveis reportagens, justificativa interna usada por Costa para pedir a reavaliação.

No fim de abril, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento na primeira instância da Justiça Federal para apurar se Lula praticou tráfico de influência em favor da Odebrecht na obtenção de contratos no exterior com financiamento do BNDES. O MPF apura se o petista obteve, entre 2011 e 2013, vantagem financeira para influenciar agentes públicos em atos relacionados a transações comerciais internacionais da empreiteira.

A reportagem do GLOBO que motivou a ação do MPF revelou que o diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alencar, acompanhou o ex-presidente em viagem a três países: Cuba, República Dominicana e Estados Unidos. Os custos foram pagos pela Odebrecht, e a viagem foi caracterizada como sigilosa em documentos da empresa de táxi aéreo que alugou o jatinho usado no périplo. Alencar é acusado por delatores na Operação Lava-Jato de ser operador de pagamento de propinas da Odebrecht. A companhia nega essa acusação e a de participar do cartel de empreiteiras que fraudava contratos na Petrobras, alvo da Lava-Jato.

Segundo fontes ouvidas pelo GLOBO, a ordem para a reclassificação de documentos no Itamaraty estaria ocorrendo sistematicamente. Às vésperas do início da vigência da Lei de Acesso, em maio de 2012, o ministério montou uma força-tarefa para reclassificar uma série de documentos. E em 2014, depois da polêmica envolvendo os gastos da presidente Dilma Rousseff em uma escala que fez a Lisboa, o DCD enviou a todos os postos do Brasil no exterior uma circular telegráfica com a ordem de que, a partir daquele momento, todas as despesas de Dilma em viagens internacionais deveriam ser sigilosas. Na parada que fez na capital portuguesa, entre a visita a Davos e seu comparecimento à cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Havana, a presidente se hospedou na suíte presidencial do luxuoso hotel Ritz, cuja diária custava, à época, R$ 26,2 mil.

O GLOBO perguntou ao Itamaraty se havia orientação específica para a reclassificação de documentos relacionados a alguma empresa que tenha sido vinculada a autoridade ou ex-autoridade, como o ex-presidente Lula. O Ministério das Relações Exteriores negou que tenha dado tal ordem. “Não há qualquer orientação formal nesse sentido”, diz a nota enviada. No caso dos documentos reservados produzidos entre 2003 e 2010, o Itamaraty diz que “a orientação geral é a de que pedidos de informação que tratem de matéria cuja divulgação possa ainda prejudicar os interesses externos do país sejam reavaliadas”.

O ministério informou que o Departamento de Comunicações e Documentação supervisiona o trabalho de reclassificação de documentos que é feito por cada uma das áreas temáticas da chancelaria. Sustentou também que segue o disposto na Lei de Acesso, que prevê a reavaliação periódica de documentos classificados. O ministério informou que adota critérios da lei nessa reavaliação, como o que prevê proteção a documentos que possam “prejudicar ou pôr em risco a condução de negociações ou as relações internacionais do país, ou as que tenham sido fornecidas em caráter sigiloso por outros Estados e organismos internacionais”. Os pedidos de informação, segundo o Itamaraty, são examinados caso a caso.

O Itamaraty frisou que “cumpre rigorosamente os dispositivos estabelecidos pela Lei de Acesso à Informação no que diz respeito às normas de classificação da informação oficial”. Explicou ainda que, desde a edição da lei, foram desclassificados 32.485 documentos, de um total de 85.992 produzidos desde 1983.

No fim de abril, o Ministério Público Federal (MPF) abriu um procedimento na primeira instância da Justiça Federal para apurar se Lula praticou tráfico de influência em favor da Odebrecht na obtenção de contratos no exterior com financiamento do BNDES. O MPF apura se o petista obteve, entre 2011 e 2013, vantagem financeira para influenciar agentes públicos em atos relacionados a transações comerciais internacionais da empreiteira.

A reportagem do GLOBO que motivou a ação do MPF revelou que o diretor de Relações Institucionais da empreiteira, Alexandrino Alencar, acompanhou o ex-presidente em viagem a três países: Cuba, República Dominicana e Estados Unidos. Os custos foram pagos pela Odebrecht, e a viagem foi caracterizada como sigilosa em documentos da empresa de táxi aéreo que alugou o jatinho usado no périplo. Alencar é acusado por delatores na Operação Lava-Jato de intermediar propinas da Odebrecht. A companhia nega essa acusação e a de participar do cartel de empreiteiras que fraudava contratos na Petrobras, alvo da Lava-Jato.

RECLASSIFICAÇÃO É RECORRENTE

A ordem para a reclassificação de documentos no Itamaraty vem se repetindo. Às vésperas do início da vigência da Lei de Acesso, em maio de 2012, o ministério montou uma força-tarefa para reclassificar uma série de documentos. E em 2014, depois da polêmica envolvendo os gastos da presidente Dilma Rousseff em uma escala que fez a Lisboa, o DCD enviou a todos os postos do Brasil no exterior uma circular telegráfica com a ordem de que, a partir daquele momento, todas as despesas de Dilma em viagens internacionais deveriam ser sigilosas. Na parada que fez na capital portuguesa, entre a visita a Davos e seu comparecimento à cúpula da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac), em Havana, a presidente se hospedou na suíte presidencial do luxuoso hotel Ritz, cuja diária custava, à época, R$ 26,2 mil.


Fonte: O Globo

Partido de Morales defende quarto mandato para o presidente

Constituição proíbe terceira reeleição, mas setores do Movimento ao Socialismo já discutem formas de ‘constitucionalizar’ proposta que manteria líder boliviano na Presidência por mais cinco anos

LA PAZ — A possibilidade de uma nova reeleição para o presidente boliviano Evo Morales foi defendida em um congresso regional de seu partido, o Movimento ao Socialismo (MAS), que, segundo Leonardo Loza, chefe da legenda na região de Cochabamba, trabalhará a partir de agora na busca por uma reforma constitucional que permita que Morales tenha chance de exercer um quarto mandato, entre 2020 e 2025.

Segundo Loza, a defesa da nova candidatura de Morales foi “unânime” e “coordenada”, e a proposta de “constitucionalizar” a decisão é apoiada por setores camponeses do partido. No entanto, outros nomes do partido se mostraram mais cautelosos. 

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— O MAS não está tratando deste assunto. É algo que deve ser considerado pelo presidente e pelo povo boliviano — afirmou na segunda-feira, o deputado do partido, Franklin Flores. — Mas temos que ser claros: trata-se do presidente com maior apoio popular.

A Constituição boliviana, em vigor desde fevereiro de 2009, proíbe uma terceira reeleição consecutiva, o que impediria os planos do MAS de manter Morales na presidência por mais cinco anos. No entanto, o partido alega que sua primeira gestão, realizada entre 2006 e 2010, não deve ser considerada, uma vez que o presidente foi eleito sob a constituição anterior.

— É preciso constitucionalizar a reeleição de nosso irmão Evo Morales — afirmou o dirigente camponês Rodolfo Machaca ao jornal “El Deber”. — Sua boa gestão, e as obras realizadas nos obrigam a tomar esta decisão, que será avaliada por nossa equipe legal.

O vice-presidente da Câmara de Deputados, Victor Borda, afirmou ao diário boliviano “La Razón” que seus colegas no MAS que representam setores sociais manifestaram a necessidade de levar a discussão à Assembleia Legislativa com base em uma proposta formal, mas garantiu que se trata de “iniciativas isoladas”, negando a existência de um “pronunciamento coletivo” na Câmara e no Senado.

Já a senadora Nélide Sifuentes, acredita que o MAS poderia decidir o tema em seu congresso partidário, em agosto, o que colocaria a discussão na agenda do Congresso.

— Teríamos que ver como poderíamos viabilizar a reeleição — afirmou a senadora. — Poderíamos promover um referendo.

Morales foi eleito para um terceiro mandato em outubro do ano passado, com 61% dos votos, impulsionado pelos sucesso econômicos do país. No entanto, no último dia 26 de abril, o presidente pediu a seu partido que comece a buscar um nome para sucedê-lo após as eleições de 2019.

O Globo 

Senado rejeita por 38 a 37 diplomata indicado por Dilma para a OEA


O plenário Senado rejeitou nesta terça-feira (19) a indicação do diplomata Guilherme Patriota para o cargo de representante permanente do Brasil na Organização dos Estados Americanos (OEA). Patriota, que hoje é vice-chefe da Missão do Brasil junto à Organização das Nações Unidas (ONU), 38 votos contrários e 37 favoráveis.

Guilherme é irmão do ex-ministro das Relações Exteriores Antônio Patriota. A rejeição ao nome dele é mais uma derrota do governo federal no Congresso, já que a indicação do diplomata é atribuição da Presidência da República. A votação ocorreu momentos antes de o plenário iniciar a análise do nome do jurista Luiz Edson Fachin para ocupar cargo no Supremo Tribunal Federal, outra indicação feita pela presidente Dilma Rousseff.

Logo após o anúncio do resultado, o senador Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu a palavra e afirmou que esta é a primeira vez que um diplomata de carreira tem o nome rejeitado pelo plenário do Senado. "Eu só quero lamentar, senhor presidente [do Senado], até onde a disputa político-partidária está indo aqui nesse plenário do Senado [...]. Eu acho simplesmente um fato lamentável o que aconteceu na tarde de hoje", disse o petista.


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) respondeu retrucou a crítica do senador."É uma decisão do Senado Federal e nós temos que respeitar", disse Renan Calheiros (PMDB-AL) (veja vídeo ao lado). “Se a aprovação fosse automática, nós não precisaríamos fazer sabatina e apreciar no plenário”, completou.

O líder do PSDB, Cássio Cunha Lima (PB), criticou a fala de Farias e afirmou que "causaria espécie" se o Senado fosse "apenas um chancelador" de nomes indicados pela presidente da República.

Já o senador Cristovam Buarque (PDT-DF), que integra a base do governo mesmo adotando uma postura crítica ao Planalto, disse lamentar a rejeição de Patriota. "Tendo em vista que é um diplomata com carreira comprovada, eu lamento. Considero um equívoco", disse Cristovam.

Antes da rejeição de Patriota, os senadores aprovaram a indicação do diplomata Paulo César de Oliveira Campos para o cargo de embaixador do Brasil na França. Campos recebeu 66 votos sim, 4 votos não e uma abstenção.

Também foram aprovadas as indicações de João Alberto Dourado Quintaes e Cícero Martins Garcia para as embaixadas brasileiras na República do Mali e na Geórgia, respectivamente.

Fonte: G1

itamaraPTy: DESUNIÃO DA OPOSIÇÃO A MADURO É INVENÇÃO DO GOVERNO DILMA, DIZ ADVOGADO



ADVOGADO DE PRESOS POLÍTICOS CRITICA VERSÃO ESPALHADA NO BRASIL 
DE QUE A OPOSIÇÃO A MADURO ESTARIA DESUNIDA. 
(NA FOTO: TIBÚRCIO NO DOCUMENTÁRIO MISSÃO BOLÍVIA)

O advogado Fernando Tibúrcio, que atuou no caso do senador boliviano Roger Molina, que ficou asilado na embaixada brasileira na Bolívia, trabalha agora na libertação de outro líder político oposicionista, mas na Venezuela. Leopoldo López está preso há mais de um ano e sua mulher, Lilian Tintori, veio ao Brasil para participar de audiências com o objetivo de sensibilizar as autoridades brasileiras a deixarem a inércia e agirem frente aos desrespeito aos Direitos Humanos no país vizinho.

Tibúrcio, entretanto, estranhou a versão que começou a ser espalhada no Brasil de que a oposição ao presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, está desunida. A principal alegação seria que Mitzy Ledezma, esposa de outro opositor, Antonio Ledezma, teria vindo ao Brasil acompanhando Lilian Tintori para promover o marido. A versão foi veementemente rechaçada pelo advogado, que acredita ter sido uma estratégia precipitada do Palácio do Planalto. Confira abaixo a nota na íntegra.
FOTO: REPRODUÇÃO REDES SOCIAIS

"Tem circulado em alguns poucos veículos da imprensa a versão de que a oposição venezuelana estaria desunida e que essa desunião se fez patente durante a visita ao Brasil de Lilian Tintori e Mitzy Ledezma, esposas dos líderes políticos venezuelanos presos Leopoldo López e Antonio Ledezma.

Esclareço que a tal versão ecoou como parte de uma estratégia precipitada do Governo brasileiro - que mais tarde sensatamente recuou - de diminuir a importância da visita delas ao Brasil. O tema da desunião foi primeiramente levantado na Comissão de Relações Exteriores do Senado pelo senador governista Lindbergh Farias e mereceu uma enfática resposta negativa da parte de Lilian e Mitzy.

Ao contrário do que setores alinhados ideologicamente com a ditadura venezuelana quiseram fazer parecer, a visita delas ao Brasil foi tremendamente bem sucedida. Além de Lilian e Mitzy, veio ao país a mãe de Geraldine Moreno, uma garota de 23 anos que foi brutalmente assassinada pelas forças policiais durante uma manifestação contra o Governo de Nicolás Maduro.

Foram recebidas na terça no apartamento do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e no Palácio dos Bandeirantes pelo governador Geraldo Alckmin. A propósito, Fernando Henrique se comprometeu a ver de perto a situação na Venezuela nos próximos dias, em viagem que fará ao país acompanhado do ex-presidente do Governo da Espanha Felipe González. Lilian ficou em São Paulo na quarta para a gravação de um dos mais importantes programas de entrevistas da televisão brasileira. Já Mitzy viajou a Brasília, onde foi recebida pelo senador José Serra e pelo ex-presidente José Sarney.

Na quinta pela manhã as duas, juntamente com Rosa Orozco, a mãe da jovem Geraldine, participaram de uma audiência pública na Comissão de Relações Exteriores do Senado, a convite do senador Aloysio Nunes. O senador Aécio Neves compôs a mesa. A sessão foi bastante prestigiada, com o plenário lotado e contando com a presença de inúmeros jornalistas. Inclusive senadores da base de apoio ao Governo manifestaram solidariedade às mulheres venezuelanas. Foi particularmente comovente ver Rosa mostrando a imagem da filha única com o rosto destroçado. Essa fotografia, que retrata a Venezuela real - e não a Venezuela disfarçada pelo comprometimento ideológico - deixou sem argumentos os parlamentares que foram escalados com a difícil e triste missão de sustentar que a nossa vizinha é uma Democracia.

Terminada a audiência pública, foram em seguida recebidas pelo presidente do Senado, Renan Calheiros. Almoçaram com o ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal e, na parte da tarde, tiveram as suas presenças anunciadas em Plenário pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha. No final da tarde quem as recebeu foi o presidente do Conselho Federal da OAB, Marcus Vinícius Furtado Coêlho.

Durante a visita delas ao Brasil, o Senado aprovou voto de censura contra o regime venezuelano.

O Palácio do Planalto apoiou a infeliz iniciativa de determinar ao nosso chanceler que recebesse na mesma quinta-feira um alto funcionário do Governo venezuelano. O caricato senhor Tarek Saab, que ostenta os também caricatos títulos de Defensor do Povo da Venezuela e Presidente do Conselho Moral Republicano, foi ouvido, nesse mesmo dia, na Comissão de Direitos Humanos do Senado. A sessão teve a presença de pouquíssimos parlamentares e foi reconhecida pelo senador Randolfe Rodrigues, simpático à "Revolução Bolivariana" de Chávez-Maduro, como um erro estratégico.

Os apoios angariados durante a agenda no Brasil foram determinantes para que o Ministro das Relações Exteriores divulgasse uma nota informando que o Governo brasileiro havia nomeado um interlocutor, o embaixador Clemente Baena Soares, para receber as mulheres venezuelanas. Foi a primeira vez nos governos de Lula e Dilma Rousseff que uma linha clara de diálogo foi aberta com a oposição venezuelana. Na quinta-feira, o dia só terminou depois das dez da noite, quando foram recebidas no Palácio do Itamaraty. Um passo importante para que num futuro breve o Governo brasileiro se posicione contundentemente contra o estado de violação sistemática de direitos humanos na Venezuela.

Eu particularmente tive a oportunidade de enfatizar ao embaixador Baena Soares que o empenho das aguerridas mulheres venezuelanas para serem recebidas pela presidente Dilma não cessará. O Brasil é a única grande Democracia no mundo cujo governo ainda não designou um integrante do primeiro escalão para recebê-las. Elas mantêm viva a confiança de que a nossa presidente, com a sensibilidade de mãe e de uma mulher que viveu o pior da ditadura, se disporá a ouví-las.

Fernando Tibúrcio Peña"


Fonte: Diário do Poder

"Militar boliviano diz que Podemos seria braço do tráfico venezuelano".



"Relatório afirma que partido de esquerda foi financiado por Hugo Chávez e seus aliados bolivarianos para transformar a Espanha em porta de entrada de cocaína na Europa"

O partido Podemos é uma das estrelas da corrida para as eleições de novembro na Espanha. Com menos de dois anos de existência, está em terceiro lugar na preferência dos eleitores. Seu líder é o cientista político Pablo Iglesias, de 36 anos. Com uma postura desafiadora, ele defende a redistribuição da riqueza, vocifera contra o que chama de neoliberalismo e faz louvações ao finado presidente venezuelano Hugo Chávez. Para os jovens que o adoram, Iglesias é um idealista que quer tirar seu país da crise. Para seus financiadores espalhados pela América Latina, contudo, o papel a ele reservado é outro: tornar a Espanha em entreposto privilegiado de cocaína na Europa. Mais do que buscar uma expansão ideológica, o objetivo dos governos bolivarianos é expandir seu principal negócio: o tráfico de drogas.


O relatório de Cardona: “Há seis anos, Hugo Chávez, Nicolás Maduro e Evo Morales, sob o manto de uma entidade fictícia denominada Centro de Estudos Políticos e Sociais (Ceps), em cujo conselho figuram (...) Pablo Iglesias, Iñigo Errejón, Luis Alegre e Juan Carlos Monedero, realizam viagens na Espanha para financiar uma nova organização política (...) com a finalidade de, uma vez que conquistem o governo, seja constituída uma porta direta de entrada de cocaína na Europa”.(VEJA.com/VEJA)

Coronel boliviano Germán Cardona

A constatação está em um relatório ultrassecreto de 34 páginas assinado pelo coronel boliviano Germán Cardona Álvarez, que trabalhou como assessor jurídico da Oitava Divisão do Exército, foi professor universitário e diretor do Hospital Militar Número 2 em Santa Cruz de la Sierra. No dia 20 de fevereiro, ele enviou ao comandante-geral do Exército da Bolívia um informe em que narrava fatos de seu conhecimento. As páginas, com denúncias de envolvimento de membros do governo com o narcotráfico, chegaram às autoridades e Cardona teve de fugir para a Espanha. No texto, ao qual VEJA teve acesso, o coronel relata a remessa de co­caí­na peruana e boliviana do Aeroporto Internacional de Chimoré (Bolívia) para a Venezuela em aviões militares, "os quais, por serem oficiais de um Estado, não podem ser interceptados no espaço aéreo internacional". As aeronaves Hércules C-130 deixam a Venezuela com armamento militar e retornam carregadas de cocaína e veículos que chegam à Bolívia depois de ser roubados no Brasil. Em Caracas, a droga é embarcada novamente e de lá levada a outros destinos. Dentro desse esquema, diz o relatório, há seis anos, Hugo Chávez, o atual presidente venezuelano Nicolás Maduro e o boliviano Evo Morales usaram uma organização chamada Centro de Estudos Políticos e Sociais (Ceps) para financiar o Podemos, da Espanha. "Uma vez que conquistem o governo espanhol, será constituída uma porta direta para a entrada de cocaína na Europa, que será enviada (...) em aviões oficiais e militares". O plano previa, portanto, que, com os aliados no poder, seria possível burlar a fiscalização antidrogas nos aeroportos espanhóis.

O político espanhol Pablo Iglesias, do Podemos: 
aliado de Maduro, Evo... e do tráfico(Hohan Ordonez/AFP)


As relações entre o Podemos e os governos autoritários da América Latina são íntimas e certas. O jornal espanhol El País revelou, em junho do ano passado, que o Ceps recebeu 3,7 milhões de euros do governo venezuelano entre 2002, quando foi fundado, e 2012. O pagamento estava vinculado a serviços prestados a vários órgãos do governo da Venezuela, incluindo uma assessoria direta a Hugo Chávez. Entre 2006 e 2007, Iglesias esteve pessoalmente trabalhando nesse país. Além disso, em 2007, uma equipe do Ceps, comandada pelo espanhol, prestou "assessoria ideológica" aos políticos que redigiram a nova Constituição da Bolívia, na cidade de Sucre. O texto, aprovado em um quartel e sem a presença da oposição, declarou a folha de coca, matéria-prima da cocaína, um "patrimônio cultural, recurso natural renovável e fator de coesão social" que deve ser protegido pelo Estado.


  ASSISTA MISSÃO BOLÍVIA, COMPLETO  



Em janeiro de 2015, uma nova descoberta levou um dirigente do Podemos e ex-­membro do Ceps, o cientista político Juan Carlos Monedero, a deixar o partido. Ele foi acusado de receber 425 000 euros dos governos da Bolívia, da Nicarágua, da Venezuela e do Equador a pretexto de um estudo sobre uma utópica "unidade monetária" na América Latina. Os repasses ocorreram no fim de 2013, meses antes das eleições de maio do ano seguinte. A suspeita é que o montante tenha sido empregado na criação do Podemos. A legislação espanhola, contudo, proíbe que as siglas recebam verba do exterior.

Fonte: VEJA

Senador Petecão afirma que acrianos estão revoltados com a visita de Evo Morales

"Ele já levou a Petrobras, agora quer a Peixes da Amazônia"

"Após visitar Complexo Industrial do Peixe, Lula faz lobby para Sebastião fazer parceria com a Bolívia na piscicultura".


Textos e fotos: Ray Melo e Luciano Tavares

Durou mais três horas, entre visita e discursos, a solenidade de apresentação do Complexo do Peixe, na BR BR-364, sentido Rio Branco/Porto Velho, ao ex-presidente Lula da Silva e o presidente da Bolívia, Evo Morales. Ambos foram conduzidos pelo governador do Acre, Sebastião Viana, anfitrião do evento, ao frigorífico recém-inaugurado pelo governo e à fábrica de ração. O Complexo Peixes da Amazônia S/A possui uma moderna central de produção de alevinos (filhotes de peixe), a primeira fábrica de ração brasileira especializada em peixes carnívoros e um frigorífico com capacidade para processar 70 toneladas de peixe por dia. Com investimentos da ordem de R$ 80 milhões, o Complexo Industrial do Peixe é o resultado de uma parceira entre o governo acriano, BNDES, fundos de investimento, grandes produtores e aproximadamente 3.500 pequenos produtores familiares, reunidos em associações e colônias de aquicultores. Aproximadamente 25% das cotas são relativas à participação dos pequenos produtores.

O ex-presidente Lula (PT), que é achincalhado pela oposição, classificado como o pai do mensalão e do escândalo da Petrobras, mas endeusado no Acre pelos seus feitos em parcerias com as administrações petistas fez um discurso durante a inauguração do frigorífico do Complexo Peixes da Amazônia, que joga por terra que o mito que “florestania” é a redenção econômica para o Acre e os acreanos. O Lobby do uso do extrativismo foi a principal bandeira de campanha do PT no Estado nos 17 anos de poder do partido à frente do governo do Estado.

O líder petista também cometeu algumas gafes, principalmente quando foi saudar os cardeais acreanos. Lula fez um cumprimento rápido ao governador Sebastião Viana (PT) e tratou o senador Jorge Viana (PT), como uma que tem uma relação mais próxima a ele. “Já pedir tantas eleições e já ganhei tantas eleições com Jorge Viana, que nós somos mais que amigos”. O ex-presidente fez questão de destacar que veio ao Acre porque o presidente da Bolívia, Evo Morales, aceitou seu convite para visitar o complexo do peixe. 

“Era um projeto que estava apenas no solo quando visitei o Acre”, disse Lula, que informou que logo em seguida teve um encontro na Bolívia, onde ele apresentou o projeto que estava sendo desenvolvido no Acre. O petista pode ter causado um mal estar no governador Sebastião Viana, ao falar o nome do evento que participou e fez o comentário sobre o projeto do complexo Peixes da Amazônia. “Foi numa reunião do G15, não G90… Acho que foi G77”, trazendo lembranças da Operação G7 que levou para cadeia, gestores do governo petista. 

“Eu sai daqui com a certeza que este projeto tinha a cara da Bolívia. Apresentei ao companheiro Quintana, destacando que Evo Morales poderia fazer vários na Bolívia. A principal riqueza daquele país é o povo humilde, com vontade de trabalhar, que precisa de oportunidade para trabalhar. Eu disse: se o companheiro Evo, se disponibilizasse de vir ao Brasil para uma visita nesta fábrica, eu também viria. Pedi para minha secretaria, Clara, que também é boliviana, para ligar para Evo visitar Rio Branco”, ressalta Lula. 

Assumindo o compromisso de ajudar a implantar o projeto de piscicultura nos mesmos moldes do Acre, no país vizinho. “O Brasil é grande pela economia, pelo povo, pelo produto interno, pelo ponto de vista tecnológico. O Brasil tem que ser um país solidário, disposto a ajudar seus vizinhos a crescer. O Brasil não pode ser rico sozinho na América Latina. O governo federal fará tudo que for necessário para fazer várias fábricas como a Peixes da Amazônia, na Bolívia”, disse o ex-presidente que fez o lobby para investimentos do Brasil na Bolívia. 

Derrubando o mito da “florestania” 



Lula se empolgou tanto no discurso que parece ter esquecido a bandeira política de seus companheiros petista no Acre, que defendem a economia com base no extrativismo. “Tinha gente que falava que era o extrativismo era a saída para o Acre, mas o extremismo não pode dar a resposta para tudo. A juventude não quer mais morar no meio do mato. Este papo que a gente falava no século passado, que temos que fixar o homem no campo. Quem gosta se ser fixada no campo é estaca. O homem tem que seguir. Esta meninada quer trabalhar”.

Ele acredita que os jovens podem trabalhar no campo e morar na cidade. “O jovem quer ir ao cinema, ir ao teatro, quer namorar, mas ele não quer ser confinado, vendo luz de vagalume a vida inteira. É bonito ver um dia, dois, três, mas a vida inteira? O cara quer vir para cidade para estudar. Parabéns pelo CallCenter. Porque esta juventude acha muito bonito, mas esta juventude quer trabalhar na cidade, querem estudar, querem ter uma profissão e eles querem cada vez mais evoluir. O Call Center é apenas o começo de sua vida profissional”.

Apesar de a Zona de Processamento de Exportação (ZPE) ainda não ter uma única empresa instalada, Lula acredita que o Acre, já tem indústria iniciar os trabalhos. Demonstrando desconhecimento do estado crítico da BR-317, o ex-presidente disse que as empresas do Sul do país podem “ chegar ao Pacífico, através de uma estrada moderna saindo aqui do Acre. Isso mostrar que o Acre não quer ficar confinado a ser ume estado rural, mas um estado industrial. É um dos poucos estados que os jovens sabem cantar o hino nacional”.

Lobby para Evo Morales 

O ex-presidente Lula tratou com naturalidade o fato de Evo Morales ter nacionalizado a refinaria da Petrobras, na Bolívia. Ele afirma que parte da “elite brasileira”, queria que ele brigasse com o boliviano. “O lula você tem que brigar com Evo. Eu falava que ele vai pagar pela Petrobras. Agora, o gás é dele, o Brasil tem que respeitar porque o gás é um produto da Bolívia. Hoje é com orgulho que eu posso dizer que a Bolívia nunca viveu um tempo de paz, como vive com este índio cocaleiro. Nunca o povo humilde teve tanto progresso como tem agora”. 

De forma irônica, Lula falou do longo tempo que Evo Morales permanece no poder. “lógico que falta muita coisa, mas os outros governaram 500 anos, ele só tá há quase 10 anos no governo, e o mandato dele vai terminar só em 2020. Que Deus te ajude a continuar fazendo as coisas que você está fazendo na Bolívia. É a primeira vez que um índio chega ao poder na Bolívia”, disse o petista ao tentar desqualificar um ex-presidente boliviano que “falava inglês. Eu acho que ele tinha vergonha de falar a língua dos boliviano. Evo, querido, você é motivo de orgulho para esquerda brasileira e para aqueles que acreditam que outro mundo é possível construir”. 

Crise no governo Dilma 

Mergulhado numa crise política e econômica, o governo da presidente Dilma Rousseff (PT) também foi defendido por Lula. “O brasil não vive seu melhor momento. A presidente Dilma chegou ao final de 2014, com o menor nível de desemprego da história deste pais. A Dilma teve que fazer muitos investimentos para manter os empregos. Chegou uma hora que era preciso parar porque o dinheiro encurtou”, disse o ex-presidente ao tentar justificar as medidas de ajuste fiscal que vem causando polêmica nas votações do Congresso. 

Lula acredita que os descontentes com os rumos da economia brasileira não suportam a ascensão social dos pobres. “Ninguém cuidou do povo pobre como nós cuidamos. Tem gente que se incomoda com filha de doméstica fazendo medicina, filho de pedreiro fazendo engenharia. A ascensão do pobre é ascensão de todo mundo”, destaca ao incluir o Acre, como um dos estados que mais teve acesso aos programas de distribuição de renda do governo federal. “Os acreanos só viam avião passar e nunca pensaram em entrar num. Hoje podem viajar”.



Conselho a Sebastião

O cardeal petista elogiou os “avanços” das administrações petistas e aconselhou o governador Sebastião Viana. “O Acre já fez muita coisa, mas o governador precisar ter consciência que ainda precisa fazer mais. Não pense que o povo é agradecido pelo que você já fez. Quando a gente toma a primeira dose, a gente quer a segunda, sabe. Aumento de salário só faz bem no primeiro mês, no mês seguinte não vale mais nada. Então, as coisas que você faz o povo gosta num dia, no outro ele quer mais. Se prepare porque nós do PT viemos para mudar a história deste país. O PT como é composto de seres humanos também comete erros e quem cometeu o erro tem que pagar. O que a gente não pode é fazer com que o povo brasileiro que transformou este partido no mais importante da América Latina, não tem no mundo nada similar, que este partido seja julgado”

O Brasil descoberto e construído pelo PT 

Lula se alongou tanto no discurso que cometeu algumas gafes. Supervalorizando sua passagem pela Presidência da República, ele disse que tinha orgulho de ter inaugurado a primeira ponte entre Brasil e Bolívia, em 500 anos, ao relembrar da ponte de mão única construída na administração do então governador Jorge Viana. O petista se esqueceu que na época, já existia a ponte conhecida como “tranca”, ligando Epitaciolândia à cidade de Cobija, no Departamento de Pando. O ex-presidente afirmou ainda que nos anos 80, Rio Branco só tinha uma praça, “a coisa mais linda, que foi inaugurada pelo companheiro Jorge Viana”.




Uma promessa para Sebastião cumprir

O governador do Acre, Sebastião Viana não tem o dom de realizar milagres, como o São Sebastião, padroeiro de Xapuri, mas terá que assumir a reponsabilidade do milagre da multiplicação dos peixes na Bolívia. Lula pediu para o gestor fazer “tudo que puder fazer para ajudar Evo Morales a implantar um projeto deste (o Complexo Peixes da Amazônia). Faça porque Deus dá em dobro quando ajudamos os necessitados. Se precisar conversar com empresários do Sul e Sudeste, me utilize, porque a gente vai convencê-los a vir ao Acre. Coitado é quem pensa que o acreano é coitado. O Acreano nasceu para ser guerreiro, para ser guerreira e o Acre nasceu para ser um estado desenvolvido, gerador de riqueza, gerando renda e fazendo o povo viver dignamente”, finaliza Lula.

Ele já levou a Petrobras, agora quer a Peixes da Amazônia 

O presidente da Bolívia, Evo Morales, que nacionalizou uma refinaria construída pela Petrobras no país vizinho, demonstrou interesse em estabelecer uma parceria de cooperação com o Acre para instalar um projeto de piscicultura para desenvolver as cidades bolivianas. Morales não perdeu a oportunidade e fez uma piada para elogiar o projeto de piscicultura do governo do Acre. “Irmão governador, se este complexo industrial de peixe ficar perdido por aí pode procurar na Bolívia porque eu levei pra lá”. 

Sindicalista é preso ao tentar se 
manifestar contra Lula e Evo.

Sindicalista e ex-vereador de Rio Branco, Luiz Anute, foi preso na manhã de hoje (7) na BR 364, km 32, sentido Acre/Porto Velho, ao tentar fazer manifestação contra o ex-presidente Lula e a visita do presidente boliviano Evo Morales.




Presidente da Força Sindical, Anute também carregava cartazes com frases contrárias a aprovação dos PL 664 e 665. O sindicalista relatou que em ato truculento, militantes do Partido dos Trabalhadores o agrediram e tomaram seus cartazes.

“Eles não deixaram nem a gente se manifestar, quando tentamos estacionar, os petistas chegaram tomaram nossos cartazes e em seguida um coronel me deu ordem de prisão afirmando que eu já lhe devia uma conta e que tinha agredido o Fadel,” declarou Anute. Jorge Fadel, citado por Anute, é secretário municipal de Agricultura e Florestas.

O sindicalista foi encaminhado no início da tarde da Delegacia de Flagrantes (DEFLA) para o Instituto Médico Legal (IML) para fazer exame de corpo delito. Por telefone, ele não soube informar ao ac24horas se vai ser detido. Anute está acompanhado de seu advogado. 

A assessoria da Policia Militar do Acre confirmou que o sindicalista foi conduzido por agentes do Batalhão de Operações Especiais (BOPE) do local onde estava acontecendo a visita do ex-presidente Lula, na Fábrica de Peixes Amazônia. 

Ao ac24horas, o secretário municipal de Agricultura e Florestas, Jorge Fadel informou que foi “agredido gratuitamente” por Anute. “Quando cheguei no local, notei a confusão do pessoal da Força Sindical e a Policia, então me aproximei para tentar por um fim naquela situação. Quando me aproximei, o Anute me surpreendeu e eu levei um murro na cara. Não cheguei a cair no chão, mas vi estrelas. Ai foi quando a Policia agiu e o levou”, disse o gestor afirmando que já registrou um Boletim de Ocorrência contra o sindicalista pela agressão e que prosseguirá com o caso até os tribunais.